Arandu

“Nossos grandes sábios, na nossa aldeia, chamamos de Arandu, que significa ‘pessoas que conseguem sentir sua própria sombra’. A sombra está com a gente o tempo todo.“

Carolos Papá Mirim

líder e cineasta indígena do povo Guarani Mbya 

O pensamento ocidental sempre impregnou a sombra em uma conotação de trevas, de cargas negativas. Olhar para sombra é olhar para o erro, o escuro é o sofrimento, o inferno é onde não chega a luz. É nas profundidades das trevas se encontram as sombras, a escuridão. O pensador, líder e cineasta indígena Carlos Papa Mirim comenta como na cultura Indígena o escuro é o lugar onde nasce a vida, do escuro se cria o universo, o escuro se projeta do dentro para fora. Ele explica a importância, na sua cultura, das sombras dos seus entendimentos e da sua veneração. O escuro é energia feminina, é dessa força, dentro de nos que se cria a vida, que se desenvolve os pensamentos e se articulam

a sociedade. 

 

Se partimos do pensamento indígena sobre sombra, dois anos depois do início da pandemia, onde justamente o mundo teria sido jogado na sombra, como podemos rever nossas noções culturais e reverter nossos pensamentos, criando novas possibilidade, novos vocabulários e novas linguagens?

 

O projeto Arandu, busca a dar essa nova identidade a sombra, em uma instalação interativa com o público, Arando convida o publico à dançar com sua sombras coloridas. Os refletores de luz, espalhados pelo espaço publico e apontando para as paredes dos edificios, vão criar múltiplas camadas de luz coloridas e sombras. As sombras coloridas projetadas do público no chão, nas paredes são um convite ao visitante olhar para sua sombra, para sombra do vizinho, brincar com a sombra do outro, criando relações de interações entre todos.

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