SAMPA

A cidade é uma casa. A casa é uma cidade.

Vilanova Artigas

 

 

Em confinamento vemos a cidade pelas janelas e as suas luzes entram nas nossas casas.

Eu sonho com a cidade. Sonho em estar no terraço de um boteco com amigos, olhando pelas ruas, procurando algum rosto conhecido para cumprimentar. Fico ouvindo seu pulso, sua bagunça e suas músicas nas esquinas. Sinto saudades dela – São Paulo, que há 10 anos me adoptou (ou fui eu que a fiz minha?). Tenho uma relação de amor com São Paulo, sinto saudades quando fico longe e quero encontrar de novo logo. A primeira vez que a vi pela janela do avião, estava angustiada, fiquei assustada pelo seu tamanho sem fim, mas sentindo ao mesmo tempo uma grande alegria de descobrir algo que até então nunca tinha conhecido. Cheguei aqui para passar um ano estudando na FAU USP, hoje já se passaram 10; não podia imaginar que essa longa história começaria naquele dia do final de julho.

 

Nessa fase que estamos atravessando, sinto cada dia mais saudade, sinto falta, falta dos encontros nas ruas. Sinto falta de passar de um show para o outro, de fazer luz; como gosto de falar, de "dar à luz". Sinto falta de montar instalações e ver os rostos de vocês se iluminando, piscando, mudando de forma e de cores.

 

Desse amor pela cidade e da minha saudade de fazer luz, criei essa coleção de esculturas de luz para levar um pouco das minhas luzes para a casa de vocês. Sampa – é a minha visão de sete bairros que me acolheram ao longo destes 10 anos. Com elas, suas casas vão tornar-se palco, vão tornar-se cor. 

A luz tem esse poder de transformar os espaços mas também de nos transformar, deixando tudo mais doce, mais gostoso.

Neste momento de quarentena, precisamos mais do que nunca de deixar nosso lar cada dia mais aconchegante.

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fotografia: Rafaela Netto